Ausência de Educação Emocional

As crianças que crescem longe de uma educação emocional, tendem a ser mais nervosas, mais agitadas e inseguras. Porquê?

Porque sentem coisas a todo o momento, mas que não sabem o que é, nem de onde vêm. Apenas sabem que são recriminadas pelos adultos: “não chores”, “Cala-te”, “Alguém que perguntou alguma coisa”, “pareces um bebé”, “pareces uma menina”, “queres ter um motivo para chorar”?

Ora, se os adultos recriminam, é porque não se pode chorar, logo não se pode sentir.

Mas como não sentir?

Estes são alguns dos conflitos internos que surgem nas crianças e que as incomodam profundamente. Provocam irritação, frustração e muitas vezes agressividade até.

Agora podemos imaginar como é que uma criança, que passe a maior parte do seu dia neste estado emocional, onde é que a mente dela consegue ter “espaço livre” para absorver as matérias escolares.

Com tantos conflitos internos, com este sentimento de injustiça, de mau estar geral, como é que esta criança tem motivação para aprender?

O tempo vai passando e esta criança passa a adolescente, depois a jovem e posteriormente a adulto e o que vai conseguindo conquistar é uma série de máscaras para “enfrentar” as diversas situações. Máscaras para ser aceite pelos pais, pela família, pelos amigos, pelos professores, pela sociedade no geral. Esta constante desarmonia interior faz com que o individuo permaneça em desequilíbrio até ao momento de escolher pelo seu autoconhecimento, identificar finalmente o que sente, o que o incomoda e gradual e pacientemente começar a arrumar todas as gavetas da sua vida.

Provavelmente quem me está a ler não é uma criança ou um adolescente, mas certamente se reconhece no adulto em desequilíbrio e com extrema necessidade em arrumar as suas gavetas.

Quando estamos em desequilíbrio, o mais provável é que passemos a explodir nas mais variadas situações, em qualquer lugar, em qualquer momento.

É isto que também acontece com as crianças. A tristeza de um adulto não é maior do que a tristeza de uma criança. A alegria de um adulto não é maior do que a alegria de uma criança, assim como a frustração de um adulto não é maior do que a de uma criança.

Por isso, aceitemos que as emoções são de facto muito mais importantes num processo de educação do que a aceitámos até aqui. Se não tivemos a oportunidade de ser educados com base em emoções, estamos sempre a tempo saber mais sobre o tema e acredita que estás sempre a tempo de corrigir e ou melhorar.

Não te definas pelos erros que cometeste, mas pela capacidade de reconhecê-los e de fazer o melhor para os melhorar.

 Alexandra Leal dos Santos – Neurocoach das emoções e terapeuta emocional

1 thought on “Ausência de Educação Emocional

  1. Parabéns Alexandra Santos pelo trabalho tão importante que desenvolves com as crianças e adultas no sentido da educação emocional. A minha esperança é que seja um tema que cada vez mais introduzido na escolas, para que no futuro sejamos adultos mais felizes e completos, e dessa forma conseguirmos fazer escolhas mais acertados ao encontro do que queremos e sentimos. Obrigada

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