Adolescentes

Sempre que me procuram quando os filhos são “adolescentes” quase sempre se sente o “pânico”. Sente-se muito o “ajuda-me porque eu não sei fazer isto sozinha”.

Não consigo tirar nada do meu filho/filha ou então o exato oposto… o meu filho/filha conta-me tudo, mas sinto-o/a triste e não consigo ajudar…

Dizem que tenho um dom, de os fazer falar…

Eu não os faço falar… eu escuto-os.

As sessões com adolescentes diferem bastante das sessões com os mais pequenos. São eles mesmo que trazem “temáticas” situações que os incomodam. E como são sessões em grupo mas em numero reduzido, com o passar do tempo, sente-se um respeito e cumplicidade incrível.

Diz a experiência que a frase que eles mais ouvem “pára… já não tens idade/tamanho para isso”

O adolescente começa a crescer e começa a sentir que deixa de pertencer às coisas.

Ele deixa de se reconhecer a ele mesmo… num ano vê o seu corpo mudar de forma acelerada, a sua voz a mudar, a sua pele a mudar… é tudo de uma forma tão acelerada que não tem tempo de se adaptar à sua nova imagem, até porque ainda vai demorar uns tempos até “estabilizar”, até entender afinal como vai ficar.

Eu trabalho com a parte emocional, com o que não se vê, com o que não é palpável, com o que não é ouvido.

Falamos e ouvimos sem julgamento. Aprendemos a observar os comportamentos que temos que nos afastam daquilo que queremos.

Adaptamos técnicas para melhorar esses comportamentos e vamos avaliando os resultados sessão a sessão, mudando a estratégia tantas vezes quantas forem necessárias até “se sentirem bem”.

O foco é no que eu sinto. E o que eu posso melhorar. Se os outros colaborarem ótimo, mas aprendemos a não estar dependentes dos outros para agirmos.

Aprendemos que se eu não estou bem com aquela situação, é algo que eu preciso analisar/observar.

Tudo isto só fica menos fácil de lidar em casa… porque os pais imaginam que eles crescem e não querem “colo” mas o que mais eles precisam é de “colo”, “contacto” (mesmo que refilem, mesmo que digam, sai do quarto, quero ficar sozinho/a” eles apenas querem certificar que continuam a ser tão importantes como antes.

Será que os meus pais vão gostar de mim? Será que eles gostam de mim?

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