Gestão das Emoções – Março 2022

Nestas últimas semanas temos vindo a trabalhar a Frustração!

A Frustração é uma das emoções que as nossas crianças mais sentem e que têm dificuldade a gerir. Os adultos chamam de birra. Afinal chamamos birra a todos os comportamentos que as crianças têm e que consideramos “inadequados”, concordas?

A frustração é o que normalmente sentimos quando esperamos que determinada situação não acontece da forma que idealizámos. Isto acontece conosco e também com as nossas crianças.

Na atividade da gestão das emoções criamos situações lúdicas, quase sempre iniciadas por um aparente “jogo normal” mas que tem como intenção perceber como cada criança reage às situações.

Sempre que uma emoção mais intensa surge é um feito uma “pausa” no jogo para se analisar a situação. Damos espaço para falar, para ouvir todas as perspectivas da mesma situação.

As crianças sentem na pratica que afinal a sua visão da situação não é a única verdade.

Nem sempre os colegas fazem as coisas com a única intenção de “nos prejudicar, de nos magoar, de nos fazer sentir mal”.

Facto é que esse “sentir mal” acontece e é aqui que esta atividade desempenha um papel discreto e ao mesmo tempo primordial.

É aqui, neste momento que normalmente não fazemos nada. Normalmente ignoramos ou até dizemos “esquece isso”, “estás tonto”, “é preciso chorar por causa disso”? “Cala-te”, “já chega” todas estas expressões que dizemos sem qualquer intenção, são frases que fazem com que os mais pequenos se sintam desvalorizados, rejeitados, e certamente que já ouviram muitas vezes que “é injusto”.

É aqui que intervimos, é aqui que fazemos diferente, é aqui que fazemos a diferença.

É aqui que usamos todos os conhecimentos de empoderamento pessoal, é aqui que ouvimos sem julgamento. É aqui que falamos sem julgamento. É aqui que acolhemos. É aqui que ensinamos a ouvir sem julgamento, a falar sem julgamento. É aqui que fazemos parte da mudança.

Quando sou treinado a olhar para as situações de uma forma mais abrangente, percebemos que afinal o mundo não vira apenas à minha volta. Nada é contra mim, nem contra ninguém.

Não sabemos ouvir nem sabemos fazer-nos ouvir.

Muitas das vezes nem falamos com medo de errar. Falar do que sentimos não está certo nem está errado. É apenas o que sentimos, e isto é importante ser escutado por nós mesmos.

É importante parar, abrandar, respirar, estar presente e identificar de facto o que estou a sentir.

Afinal, se eu não souber o que eu estou a sentir, como é que os outros vão poder contribuir?

Aprendemos várias técnicas de relaxamento e vamos percebendo quais delas funcionam melhor comigo e em que momentos.

O trabalho desenvolvido ao longo destas sessões, é um trabalho continuo, é um treino de autoconhecimento valioso para cada um de nós.

Quanto mais cedo formos capazes de identificar o que sentimos (principalmente o que nos faz sentir mal) e aprendermos a introduzir na nossa rotina pequenas ações/atitudes que nos trazem sensação de bem estar, aos poucos ganhamos competências de resiliência suficientes para encarar a vida com alegria e entusiasmo independentemente das situações que nos aconteçam.

Na gestão das emoções aprendemos a cuidar da nossa casa, do nosso templo (corpo e mente). Aprendemos a ouvir e a comunicar de força assertiva e segura.

Alexandra Leal dos Santos

NeuroCoach das Emoções e Terapeuta Comportamental

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